
O que deveria ser uma agenda administrativa para consolidar reajustes salariais transformou-se, nesta quinta-feira (22 de janeiro de 2026), em um novo capítulo da crise institucional que abala o legislativo de Anitápolis (SC). Sob um clima de confronto aberto, vereadores abandonaram o plenário em protesto enquanto a Câmara decidia o destino de uma denúncia explosiva contra o ex-presidente da Casa, Salésio Effting.
O cenário é de um município dividido. De um lado está a atual presidente, Marcelli Mattes, que acusa Effting de tê-la agredido com um tapa em agosto de 2025. Do outro lado estão aliados do ex-presidente que tentam paralisar os trabalhos alegando interferência judicial.
Embora a reunião do dia 19 de janeiro tenha focado na aprovação de orçamentos e reajustes previstos em lei , a sessão de ontem foi o marco para a leitura e aprovação do prosseguimento da denúncia. A tensão escalou quando a vereadora Cida da Saúde (Maria Aparecida Steffens) apresentou um despacho da 2ª Vara da Comarca de Santo Amaro da Imperatriz.
O documento determinava que a Mesa Diretora se abstivesse de praticar atos decisórios de caráter irreversível, alterações regimentais ou novas nomeações estratégicas. No entanto, a presidência e o corpo jurídico da Casa pontuaram um detalhe crucial: o texto judicial focava em atos de gestão da Mesa Diretora, não fazendo qualquer menção a impedimentos sobre deliberações do Plenário ou ao prosseguimento de processos e investigações que já estavam em andamento.
A leitura do documento serviu de senha para a debandada. O vereador Paulo Steffens reagiu com veemência ao afirmar que estavam sendo feitos de parvos e que respeitaria a ordem da juíza antes de se retirar do recinto. Ele foi seguido por Cida da Saúde, Alessandra Oliveira e o suplente Lucas David, que havia sido convocado para recompor a mesa mas optou por abandonar a sessão por considerar o ato ilegal.
A presidente Marcelli manteve o curso alegando não ter sido intimada oficialmente por um oficial de justiça e defendeu que a investigação é um dever institucional. Ela afirmou que investigação não é perseguição e que a omissão seria uma falha grave, antes de passar o comando ao vice-presidente para que o processo seguisse.
A denúncia lida em plenário desenha um quadro de alegada gestão temerária durante os mandatos de Salésio Effting entre 2021 e 2024. Entre os pontos mais graves destacam-se:
Com a saída dos titulares e a convocação da suplente Lucie e do suplente Robson para recompor a mesa, a Câmara de Anitápolis autorizou o prosseguimento da fase instrutória do processo. Na prática, isso significa que a comissão processante passará a recolher provas e ouvir testemunhas para decidir se o caso leva à cassação do mandat
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