Com a previsão de períodos de chuvas mais intensas nos próximos meses,
muito se fala sobre os impactos do El Niño e os riscos de enchentes, erosões e
alagamentos, principalmente em cidades pequenas e áreas rurais. Em muitas
regiões, rios e córregos é comum sinais de assoreamento, situação que reduz a
capacidade de escoamento da água e aumenta os problemas durante fortes chuvas.
O assoreamento acontece quando terra, areia e outros sedimentos se
acumulam no leito dos cursos d’água. Isso geralmente ocorre devido à erosão do
solo, retirada da vegetação das margens, estradas mal planejadas e manejo
inadequado da propriedade rural. Com menos profundidade, rios e córregos
transbordam com mais facilidade, causando prejuízos para produtores, estradas
rurais, pontes e comunidades inteiras.
Diante desse cenário, o dessassoreamento surge como uma alternativa
importante para minimizar impactos e melhorar o fluxo da água. A retirada
controlada dos sedimentos ajuda na drenagem e pode reduzir riscos durante
períodos de chuvas intensas. Porém, o que muitas pessoas ainda desconhecem é
que esse tipo de intervenção também precisa seguir critérios técnicos e ambientais.
Realizar limpeza, escavações ou movimentação de terra em rios e córregos
sem autorização pode gerar sérios impactos ambientais. Dependendo da forma
como o serviço é executado, podem ocorrer destruição das margens, aumento da
erosão, danos à vegetação nativa e prejuízos à qualidade da água. Além disso,
intervenções irregulares podem resultar em multas e embargos.
O licenciamento ambiental existe justamente para garantir que essas ações
sejam feitas de maneira correta, equilibrando a necessidade de prevenção com a
preservação ambiental. Através da análise técnica, é possível definir métodos
adequados, locais permitidos e medidas de controle para evitar novos problemas no
futuro.
Mais do que cumprir uma exigência legal, planejar ações preventivas é uma
forma de proteger propriedades, estradas, lavouras e até vidas. Em regiões rurais,
onde a relação com a água é essencial para a produção e para o dia a dia das
famílias, cuidar dos cursos d’água significa também cuidar da economia local.
Eventos climáticos extremos têm se tornado cada vez mais frequentes, e isso
exige planejamento e responsabilidade. Prevenir continua sendo mais barato e mais
eficiente do que remediar prejuízos depois. E quando prevenção e cuidado
ambiental caminham juntos, toda a comunidade sai ganhando.
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