Na dinâmica acelerada do mundo corporativo, onde metas e resultados ditam o ritmo, a ética pode, por vezes, ser relegada a um plano secundário. Sua ausência no ambiente de trabalho, no entanto, pode gerar um efeito cascata de problemas, corroendo a confiança, prejudicando o desempenho e, em última instância, impactando a saúde de toda a organização.
O colaborador que utiliza da liberdade que possui com desonestidade, manipulando informações, mentindo ou omitindo em busca de ganho pessoal por meio de práticas questionáveis, é um grave alerta. Esse tipo de experiência, que pode ocorrer em qualquer ambiente profissional, me motiva a refletir sobre o papel crucial da integridade no tecido de uma equipe e na construção de um ambiente de trabalho saudável e produtivo.
Muito embora as habilidades técnicas sejam, sem dúvida, importantes e devam ser constantemente aprimoradas, a verdade é que elas podem ser treinadas e desenvolvidas. O caráter, por outro lado, aqui entendido como um conjunto de valores intrínsecos que moldam nossas ações e decisões, e que não se aprende em cursos, treinamentos ou capacitações, é cultivado ao longo da vida e se manifesta em cada interação do dia a dia.
Pesquisas, como a realizada pelo Datafolha para o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial - ETCO no ano de 2022 (https://www.etco.org.br/etco-na-midia/90-dos-jovens-consideram-sociedade-brasileira-pouco-ou-nada-etica-aponta-datafolha-em-estudo-para-o-etco/), nos dão um indicativo de que uma parcela significativa da população jovem considera a sociedade pouco ética. Essa percepção pode influenciar a forma como as novas gerações se inserem no mercado de trabalho, tornando a atenção à ética nas empresas ainda mais crucial.
Minha experiência demonstra que contratar apenas com base em currículos, habilidades técnicas ou experiência pode ser um erro custoso. Isto porque um profissional com caráter duvidoso pode causar danos irreparáveis à equipe e à reputação da empresa.
Penso que a busca por talentos deve, portanto, ir além das competências aparentes. Mas como construir um ambiente de trabalho onde a ética floresça? A resposta reside, suponho, em um conjunto de ações que envolvem a liderança, a cultura organizacional e o engajamento de todos os colaboradores.
São necessários canais de comunicação abertos e transparentes para que as pessoas se sintam à vontade e expressem suas preocupações, relatando condutas antiéticas sem medo. Políticas e códigos de conduta claros, definindo expectativas e as consequências para comportamentos inadequados, bem como treinamentos e workshops sobre ética podem ajudar a sensibilizar os colaboradores para a importância do tema e a discussão de dilemas comuns no ambiente de trabalho.
Reconhecer e valorizar os comportamentos éticos é tão importante quanto rechaçar as condutas antiéticas, quando evidentes. Ao celebrar a integridade e o respeito, a empresa reforça os valores que deseja promover.
A ética no trabalho, acredito, não é apenas um ideal a ser perseguido, mas um alicerce fundamental para a construção de equipes vencedoras e de organizações bem-sucedidas. A experiência profissional, o currículo ou os anos de empresa não suprem a necessidade de um ambiente de trabalho saudável, produtivo e resiliente aos desafios do mercado. Não nos enganemos: a ética não é apenas um detalhe, mas sim, a essência de relações profissionais duradouras e de sucesso!
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