Depois de duas décadas imersa no ritmo acelerado do “mundo jurídico” e agora também na gestão da empresarial, percebo que a vida tem me presenteado com uma redescoberta fascinante: a doçura de um trabalho equilibrado, mas nem por isso menos produtivo. Não é sobre desacelerar a ponto de parar, mas sim de encontrar um novo compasso que ressoa com a melodia da vida que realmente quero viver.
Abrir uma segunda possibilidade profissional, com um foco totalmente diferente da minha primeira, foi um passo que me jogou de cabeça nessa nova realidade. E, para minha surpresa e alegria, redescobri na gestão, o prazer de trabalhar de qualquer lugar, livre das amarras do relógio. Essa liberdade, longe de me tornar improdutiva, tem sido o motor para uma nova rotina que abraça tanto as responsabilidades profissionais quanto o meu bem-estar pessoal.
Percebi que, para "não perder o bonde" nesse novo cenário, não preciso correr desesperadamente. Pelo contrário, o segredo está em cultivar um dia a dia que me permite ser eficiente sem sacrificar a qualidade de vida. Hoje, procuro distinguir demandas urgentes e não importantes das urgentes e importantes, optando em atender à última, a academia se tornou um compromisso inegociável e tenho um olhar mais atento ao corpo e à saúde, o que acaba refletindo na clareza da mente.
Priorizar a comida em casa, a leitura de bons livros e as viagens sem precisar esperar pelas férias, são elementos essenciais desse novo equilíbrio. Aliás, férias é uma palavra pouco falada, a não ser em relação àquelas que são escolares. O fluxo contínuo de trabalho em meio a uma rotina que prioriza o bem-estar torna o descanso total das atividades profissionais desnecessário e até enfadonho. Não é mais sobre "ter tempo", mas sim sobre "usar o tempo" de forma inteligente e prazerosa.
A produtividade, portanto, não se mede apenas pelas horas dedicadas, mas pela qualidade do foco, pela criatividade que floresce em um ambiente mais tranquilo. A psicologia positiva já demonstrou que a sustentabilidade da produtividade a longo prazo reside não na exaustão contínua, mas na intencionalidade de pausas restauradoras e na integração harmoniosa do bem-estar.
Martin Seligman em sua obra Felicidade Autêntica (2019), por exemplo, afirma que os pontos fortes e virtudes humanas podem ser aplicados para promover o bem-estar e a felicidade e que a otimização deste bem-estar pode levar a um desempenho mais duradouro e saudável.
Acredito que, em algum momento da nossa jornada profissional, especialmente depois de anos e anos de dedicação intensa, como foi o meu caso, é fundamental buscar esse ponto de equilíbrio. Como sugere T.S. Eliot, em seu poema Little Gidding, da coleção Four Quartets (1943): “não cessaremos de explorar e, no fim de toda a nossa exploração, chegaremos ao ponto de partida e o conheceremos pela primeira vez”.
Que possamos honrar nossa trajetória, sem abrir mão das conquistas, mas abraçando uma nova perspectiva onde possamos não duvidar que o sucesso pode perfeitamente se alinhar à plenitude...
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